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Design de informação: aula 3

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  1. Necessidades informacionais
    • Procura de item conhecido
    • Procura exploratória
    • Procura exaustiva
    • Re-encontro

A. Necessidades informacionais

Quase sempre imaginamos que o usuário sabe exatamente o que deseja e que os sistemas de organização da informação (que compreendem, por sua vez, a navegação) são apenas um obstáculo a ser transposto, algo que se coloca entre o usuário e o item que deseja. O fato é que este comportamento não é tão comum assim. É bastante freqüente o usuário entrar num site (ou mesmo numa livraria, por exemplo) apenas com uma idéia vaga sobre o que deseja, e usar os mecanismos de organização de informação como ferramenta para descobrir o que realmente deseja.

Ou seja, muitas vezes, o que o usuário deseja depende de como a informação se apresenta.

Vamos, num primeiro momento, imaginar um cenário bastante simples: que os itens disponíveis em seu website são roupas e acessórios para montanhismo dispostas numa vitrine. Se o usuário vai a uma loja dessas apenas com uma vaga idéia do que quer comprar, o modo como as roupas estão dispostas influencia diretamente no próprio produto, isto é: para o usuário, o produto é aquilo que está exposto, do jeito que está exposto! Se eu resolvo expor as roupas espalhadas no chão da vitrine, provavelmente o usuário não pode sequer ter uma boa visualização das roupas que deseja ou pode vir a desejar. Se, ao contrário, exponho as roupas no seu contexto de uso (gente subindo uma montanha ou descendo uma encosta) fica fácil para o usuário enxergar as vantagens dos itens que vê e, portanto, decidir o que lhe interessa.

É comum, por exemplo, alguém entrar numa loja como esta desejando um certo tipo de bota e sair dela tendo comprado outro, mais adequado ao que realmente necessita ou deseja.

Estamos falando de navegação exploratória... Entre a entrada na loja e a saída, o vendedor (ou o site) não apresenta apenas o que o cliente pede, mas todo uma série de itens relacionados, para que ele possa fazer uma boa escolha (ver os recursos usados na www.amazon.com).

Vejamos uma classificação de necessidades informacionais feita por Peter Morville, Louis Rosenfeld no livro Information Architecture for the World Wide Web.

Procura de item conhecido (known-item seeking)

Você sabe exatamente o que produca, isto é, o que quer passar a saber... confuso? Imagine que quer saber quantas pessoas moram em Quixadá, na Bahia. Bem, você sabe exatamente a informação que deseja. Só precisa chegar a ela. Nesse contexto a arquitetura de informação tem de ser a mais objetiva possível: talvez uma tabela de cidades em ordem alfabética com suas populações ao lado.

Procura exploratória (exploratory seeking)

Mas nem sempre o usuário sabe exatamente o que quer saber; às vezes sabe vagamente.

Imagine agora que você quer passar suas férias em Petrópolis e tem uma certa quantidade de dinheiro disponível. Você terá que garimpar uma quantidade maior de informação para chegar ao que deseja. Ou pode mesmo descobrir que não existe a menor possibilidade de passar as férias em Petrópolis, pois os hotéis lá são muito caros! Neste caso, um site que se dedique a apresentar opções de hospedagem em Petrópolis deve faze-lo de forma a deixar o usuário selecionar critérios de escolha. Por exemplo, mostrar uma tabela de hotéis e custo de diárias... Talvez fosse bom também organizar esta informação num mapa, pois não há vantagem em ficar num hotel barato mas muito distante do centro... Enfim, Aí começam os problemas para o arquiteto de informação.

Procura exaustiva (exhaustive research)

Bem, às vezes você nem sabe onde quer passar as férias! E nem sabe direito quando vão ser suas férias, ou quantos dias vai poder viajar! Aí a coisa fica crítica. As possibilidade são tantas que você decide capturar todas as informações possíveis dentro de um determinado tema: por exemplo, guarda todas os valores de diárias na região de Petrópolis e Teresópolis e também na Serra Gaúcha para depois comparar os dados. Este tipo de procura é comum, por exemplo, quando você procura por informação generalizada sobre um tema. Digamos que você acaba de saber que tem apnéia (um doença relacionada a um distúrbio no sono). Você então começa uma busca genérica sobre apnéia e tudo o que vier é, em princípio, interessante... Numa segunda fase você selecionará o que serve ou não. O importante nesse tipo de busca é a abertura (range)... o espectro de informações releventes é, neste contexto, enorme e aberto ao extremo.

Re-encontro (re-finding)

De vez em quando tudo o que se deseja é re-encontrar informação já acessada antes. Digamos que, por exemplo, você encontrou um tutorial de solo de guitarra enquanto navegava no horário de trabalho ou estágio. Bem, você não vai fazer o tutorial de guitarra no ambiente de trabalho... sendo assim, é bom conseguir re-encontrar o tal tutorial pois ele pode ser útil mais tarde.


fonte: Rosenfeld, L., Morville, P. Information Architecture for the World Wide Web, O'Reilly, Sebastopol, CA,1998